É gostoso se deixar acreditar naquela história de que, na hora certa, você saberá qual decisão tomar. Que uma campainha tocará no fundo do seu cérebro e você verá exatamente qual caminho da bifurcação é o correto, o mais feliz, o decente, o ético, o verdadeiro. De fato, algumas poucas vezes na vida eu tive a epifania do que fazer exatamente quando era necessário; no entanto, a maior parte do tempo a sensação é de esperar que a decisão seja feita pelas circunstâncias mais do que pelo pulo arriscado que é escolher. O maior medo de todos, talvez, seja que o que você quer não seja o que você precisa e que a escolha tenha sido tão, mas tão, errada.
Tomar uma escolha e não olhar para trás é a mesma coisa que mergulhar e confiar que não haverão pedras te esperando no mar tumultuado. Você nunca sabe: apenas torce, pressente e espera que o mergulho dê certo. As vezes você se afoga por alguns segundos antes de emergir e pensar "eu iria novamente". Mas sempre há o terror da idéia de que você pode não conseguir subir mais: a escolha não deu certo, você estava errado e não há mais volta.
Nos últimos meses, estive ensaiando a mesma queda livre diversas vezes. Por orgulho nunca me deixando saltar, e por medo nunca querendo saber o que me esperava lá embaixo. E, então, acontece a aparição que te faz acreditar que talvez a grande questão não seja exatamente o que te espera, mas o que te acompanha.
Muitas vezes eu desejei que houvesse alguém pronto para me segurar no final de cada salto. Uma rede de segurança bem firme, logo abaixo, pronta para aguentar a pressão do vento comigo. Porém, a cada dia, eu percebo que não é sobre o choque final, e sim sobre o momento anterior: quem está com você. Quem segurou sua mão. Quem passou em cima dos próprios medos, inseguranças, traumas, lembranças boas e ruins, para poder pular com você.
Se há alguém segurando sua mão, não é necessário destino. O maior impacto não é o vento gelado, ou a água revolta, ou o que for: são cinco dedos entre os seus. Firmes, fortes. Sem medo da queda. Sem medo de você

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