Acho que ninguém escapará de, um dia, ter a realização abrupta de ter mudado um bocado. Na realidade, acredito que viveremos esses momentos diversas vezes na vida; ao perceber que o nosso eu anterior se mudou para uma nova versão, que aprendemos mais, que nossas experiências se transformaram em uma lição que nos mudou, que há mais de nós em nós mesmos. Para mim, parece que esse "mais de nós" é parte do processo de amadurecimento - e que, para podermos nos tornar melhor ao mudar, é necessário que esse mais venha acompanhado do crescimento do nosso coração.
Crescer e amadurecer não é tarefa fácil. Às vezes essa infeliz verdade torna-se tão difícil que as pessoas trilham esse caminho se amargurando, se fechando, se vingando de alguém que acha que lhe fez mal, "fazendo inferno", amarrando a cara para o desconhecido ou o diferente. Algumas pessoas preferem lidar com suas cicatrizes se sentindo deformados por ela ou, pior ainda, superior pelas mesmas. Esses dois caminhos acabam levando à dor tanto para quem convive com uma alma assim e para quem tem uma alma assim. Pelo que vejo no mundo, são duas vertentes que levam ao individualismo, ao egoismo e ao desamor por si próprio e pelos demais. Obviamente ninguém conscientemente busca isso, mas é constante que se torne isso.
Não estou falando que seja uma opção "fácil", eu aprendi muito com uma pessoa em especial. Não é fácil porque ela acarreta dor mais tarde - mas é muito mais simples do que continuar se levantando sem carregar peso, e sim sabedoria, de cada queda. Conseguir olhar o mundo com ternura quando parece que o mesmo lhe deu uma surra é muito, muito complicado... Afinal, como podemos acreditar que há o amor, a gentileza, quanto tanto mal se passou?
A resposta é simples de dizer e difícil de seguir: FÉ
Fé em si mesmo. Fé no amor que se sente pelas pessoas que te cercam. Fé que há muito potencial em você, fé que você aprenderá, que se tornará melhor. Fé de que existe amor! As melhores pessoas muitas vezes não são as que tiveram sucesso de primeiro ou as que tem a vida pintada para parecer perfeita: As melhores pessoas são as que continuaram acreditando nelas e no mundo, independente das quedas.
Da mesma forma que agora a natureza parecer começar a fechar para seu balanço, eu também começo a pensar quais folhas da minha árvore da vida caíram, mas quais frutos maravilhosos isso me trouxe, após a chuva. Às vezes choramos tanto pelo que se foi, pelo o que disseram, pelo olhar triste, pelo "eu não te amo", sem imaginar que o que vem depois pode ser nossa benção disfarçada de azar. Não conseguir o que desejávamos tem muitas vezes, algum tempo depois, a prova de que escapamos de algo pior ao sermos forçados a pegar o caminho mais longo ou que algo muito melhor está para vir.
Por isso, se eu pudesse ter a chance de lhe dizer algo, gostaria de incentivar você a refletir sobre o que passou em nossas vidas, o que estamos deixando para trás, e o que gostariamos de trabalhar em si daqui para frente. É um exercício pesado, mas que reflete brilhando nos nossos olhos quando conseguimos puxar nossa fé e nossa aptidão de ver gentileza no mundo e amor. Você pode me achar "cansativa", mas é nesse amor que acredito de verdade. Espero de coração que, independente do que você esteja passando, você consiga se transformar numa pessoa mais bondosa consigo mesma e com os demais por isso.
Não perca a esperança. Trabalhe em prol dela, tentando se distanciar dos caminhos egoístas, com empatia pelos demais, os demais que machucam o outro desnecessariamente. Cuide de você e cuide do outro - pois nele há mais de você do que imagina.
Eu também tô aprendendo...
Lalá
Eu acho é que a gente tem mesmo é um lugarzinho dentro da gente, como um quarto. Um quarto escuro que é só nosso que eu (através deste Blog) decidi dividir com vocês. Soando em Palavras é ouvindo através das letras a minha voz. O que eu penso e muito mais que sinto
sexta-feira, 19 de junho de 2015
quinta-feira, 18 de junho de 2015
5 Coisas que Aprendi em Relacionamentos
Expectativa
É claro que
nós temos muitas expectativas sobre tudo, não só sobre pessoas, como situações,
mas o problema de se criar e ter expectativa, em um relacionamento, é que geralmente
existem pessoas mais sonhadoras: Que esperam que as coisas aconteçam, que
esperam que hajam como gostaria, esperam muitas coisas das coisas... Mas será que
vale mesmo à pena depositar tanta energia em uma coisa ou algo que não depende
de você?
"Eu poderia esperar que ele fosse mais romântico,
que me trouxesse flores, que se declarasse e fizesse um jantar à luz de velas,
ou que ele pudesse fazer um monte de coisas", então você cria esta expectativa em si. Mas eu ai? Será que a pessoa vai fazer tudo isso? Geralmente ela nem sabe que você criou tanta expectativa assim... Só que essa expectativa que você cria passa a ser uma ideia na cabeça como se fosse uma coisa que vai
acontecer.
Espere menos dos outros e espere mais de você!
Comece com: “O que eu posso fazer para...”, “O que as
pessoas esperariam de mim?”, “O que eu quero ser?”. Eu quero ser mais produtiva
no meu trabalho... Eu quero ser mais amorosa em meu relacionamento... Eu quero
expectativa em mim mesma! Porque somente EU posso por em prática. Quando
esperamos demais dos outros podemos nos chatear, não ser correspondida e se
frustrar. É importante saber o que esperar das pessoas, (para isso devemos
conhecê-las antes) e não criar expectativa muito longe da realidade, muito
sonhadora, por que fica muito vaga e até quase platônica. E a pessoa não sabendo
disso ela não tem como te corresponder.
Crie expectativas sobre si mesmo, metas
sobre si mesmo!
Aceitação
O que é a aceitação?
Nós temos algumas ideias na vida como: “Eu espero encontrar alguém que me faça feliz", "Eu espero alguém que me
complete.”. Esquece!
Quem vai te fazer feliz é você mesma e só se é feliz
quando você faz outra pessoa feliz.
Ninguém completa ninguém, as pessoas se complementam.
Trazem algo à mais para você mesma. Não existe pessoa perfeita, existe a
aceitação de que você deve ter sobre como aquela pessoa é, afinal foi por esse
motivo que o fez apaixonar-se. Todos tempos qualidades e defeitos. Cada um é
cada um. A pessoa que vai te complementar é aquela pessoa que tem as QUALIDADES
que você admira e os DEFEITOS que você tolera, mas nem todas as pessoas tem
todas estas, afinal, mais uma vez, não existe pessoa perfeita.
Comportamento
A gente vive falando que “O transito me irrita”, “O fulano me irrita”, “A outra coisa me irrita.”.
Não!
VOCÊ se irrita, VOCÊ se chateia... Os problemas sempre irão
existir, sempre! O que muda é a maneira como a gente lida com eles. Você quer
se irritar com o transito? Você quer se irritar com o fulano? Você quer se
irritar com a outra coisa? Não.
Devemos ter a percepção de como reagimos às
coisas e às pessoas. É um exercício: A maneira como mudamos nossas atitudes de
acordo com as pessoas que estão à nossa volta. Então não culpe os outros. Melhore em si sua tolerância, paciência, calma, respire fundo! Só de
compreender isto a gente começa a culpar menos os outros e começa a melhorar o
que devemos melhorar.
Quando TUDO, absolutamente TUDO te irrita, há algo de
errado em você!
Talvez a falta de alguma atividade que você goste, ou uma
atividade física, ou ouvir musica, a leitura de um livro, assistir um filme. A
falta de coisas que te agradam podem ser fatores que acarretam a falta de
felicidade e de compreensão sobre si e sobre o mundo. Mude em você! Não culpe ninguém!
Estar
em Primeiro Lugar
Se você está em um avião e acontece alguma coisa...
“Primeiro
em você, depois na pessoa que está ao seu lado.”
Primeiro nós devemos nos ajudar, quanto mais feliz você estiver,
quanto mais preparado, mais forte você estiver melhor você vai lidar com tudo.
Quando estamos nos sentindo completos é muito mais fácil de viver, de se
relacionar... Devemos nos amar, cuidar, gostar. Tudo volta!
Se você não estiver
bem consigo mesma você não vai estar prepara para fazer nada por ninguém!
Dedicação
e Disposição
Quando já estamos em um relacionamento às vezes a gente se acostuma, a gente se acomoda. A pessoa já está
ali ao seu lado, já está apaixonada, você já a conquistou, ele disse “Eu te amo”, não precisa de mais nada. Será?
É preciso reconquistar, a cada dia: Fazer uma surpresa que ele goste, ter
atitudes e palavras positivas, lembrar daquilo que você e a outra pessoa
admiram um no outro e sempre colocar isso à cima de tudo. Cuidado, carinho,
conquista...
“Seria tão legal se ele fizesse isso por mim...”
Vai lá e faz por
ele então, não fica esperando. Antes que ele faça por você. Vai lá e faça! Porque
eu tenho certeza que o resultado, ver o olhos dele brilhando e sorrindo vai
despertar algo em você tão bom que será a mesma sensação se ele fizesse por você.
É cíclico.
E isso é com tudo: Amigos, família, relacionamentos...
domingo, 31 de maio de 2015
WAR
Sempre adorei começar a minha missão no WAR conquistando primeiro a Europa. Em parte por ter algum anseio napoleônico dentro da alma, embora o grande motivo sempre foi saber que era a melhor maneira de depois me lançar sobre as Américas, Ásia e pegar a Oceania por diversão no processo. Estratégia, segredos, e o lançar dos dados. Algumas pessoas tratam relacionamentos como se fosse um jogo de tabuleiro - seja invadindo seu raciocínio mais rápido do que se fosse pelo cabo de Vladivostok, seja sempre dando o tempo de terror entre os ataques e jogadas. E, se bobear, arrasam e te levam Madagascar no processo.
O que aconteceu com o tempo onde as coisas pareciam ser mais simples? Quando não haviam regras de espera e do que seria esperado. Constantemente me dividido entre a emoção de uma corrida e a angústia de uma vingança que não busco. Aumento o número de exércitos, remanejo-os, posso até mandar um tangue. Mas, independente da diversão, uma parte grande de mim gostaria apenas de parar o jogo e deixar os dados intocados, todos eles com o seis voltado para cima. Não irá acontecer, ao menos não agora.
Chega um tempo em que o tabuleiro se torna seu quarto; pessoas antigas saem das caixas, enquanto outras mais recentes entram. O riso trocado em uma cama juntinhos ou o jogo de palavras em idiomas que não o nosso se misturam nas lembranças de outros: com as discussões, um casaco verde, carta colada na TV do quarto, uma aliança de namoro, que nunca foi usada ou existiu, um olho mel e outro preto no mesmo rosto. Cada um com seu jogo, suas regras, seus peões, suas lutas. Seu jeito!
Mesmo arrancando peças alheias e perdendo pedaços próprios no caminho, ainda consigo assistir no horizonte uma conquista nova. Europa, Ásia, e um grande país ao sul de uma América. E eu ataco com cinco exércitos pelo cabo de Vladivostock, só para conquistar teu coração.
O que aconteceu com o tempo onde as coisas pareciam ser mais simples? Quando não haviam regras de espera e do que seria esperado. Constantemente me dividido entre a emoção de uma corrida e a angústia de uma vingança que não busco. Aumento o número de exércitos, remanejo-os, posso até mandar um tangue. Mas, independente da diversão, uma parte grande de mim gostaria apenas de parar o jogo e deixar os dados intocados, todos eles com o seis voltado para cima. Não irá acontecer, ao menos não agora.
Chega um tempo em que o tabuleiro se torna seu quarto; pessoas antigas saem das caixas, enquanto outras mais recentes entram. O riso trocado em uma cama juntinhos ou o jogo de palavras em idiomas que não o nosso se misturam nas lembranças de outros: com as discussões, um casaco verde, carta colada na TV do quarto, uma aliança de namoro, que nunca foi usada ou existiu, um olho mel e outro preto no mesmo rosto. Cada um com seu jogo, suas regras, seus peões, suas lutas. Seu jeito!
Mesmo arrancando peças alheias e perdendo pedaços próprios no caminho, ainda consigo assistir no horizonte uma conquista nova. Europa, Ásia, e um grande país ao sul de uma América. E eu ataco com cinco exércitos pelo cabo de Vladivostock, só para conquistar teu coração.
sexta-feira, 29 de maio de 2015
Encontro a Mim Mesma
Não é de hoje o medo, embora seja de dias atrás a sensação recorrente sem o esconderijo da negação. É a minha risada que sai mais aguda e nervosa do que o normal, ainda não consigo compreender e entender "Por que ele fez isso?"
O devanear lógico que me leva quase ao enjoo e o constante pensamento: "eu perdi o jeito?".
Quando olho pelo meu ombro, para os últimos anos, eu sou obrigada a dizer que talvez. Mas eu consigo enxergar as provas que apontam para o não, os indícios, os sorrisos, os olhares cruzados. E, mesmo com todo um arsenal para levantar a auto estima, a voz crítica na minha mente pergunta, do mesmo modo que me perguntou em um Outubro tão distante quanto uma outra vida, se é o suficiente.
Talvez a verdadeira pergunta seja se eu sou o suficiente. Não para os outros, mas para as expectativas que tenho de mim mesma.
O pior inimigo é aquele que me olha no espelho, se perguntando o que poderia ter melhorado. Também é meu melhor amigo, que me faz ter o desejo de evoluir, de tocar as notas sem errar, de continuar firme nos valores, na lógica, no que é certo. E nessa ambiguidade e na equivalência de suas críticas, eu encontro à mim mesma, com os olhos ainda sem saber a resposta de qualquer pergunta cujo controle não seja exclusivamente meu.
Enquanto vejo os sinais escritos na tela do computador, eu me pergunto se eles são o suficientes. Aqui, e ali.
O devanear lógico que me leva quase ao enjoo e o constante pensamento: "eu perdi o jeito?".
Quando olho pelo meu ombro, para os últimos anos, eu sou obrigada a dizer que talvez. Mas eu consigo enxergar as provas que apontam para o não, os indícios, os sorrisos, os olhares cruzados. E, mesmo com todo um arsenal para levantar a auto estima, a voz crítica na minha mente pergunta, do mesmo modo que me perguntou em um Outubro tão distante quanto uma outra vida, se é o suficiente.
Talvez a verdadeira pergunta seja se eu sou o suficiente. Não para os outros, mas para as expectativas que tenho de mim mesma.
O pior inimigo é aquele que me olha no espelho, se perguntando o que poderia ter melhorado. Também é meu melhor amigo, que me faz ter o desejo de evoluir, de tocar as notas sem errar, de continuar firme nos valores, na lógica, no que é certo. E nessa ambiguidade e na equivalência de suas críticas, eu encontro à mim mesma, com os olhos ainda sem saber a resposta de qualquer pergunta cujo controle não seja exclusivamente meu.
Enquanto vejo os sinais escritos na tela do computador, eu me pergunto se eles são o suficientes. Aqui, e ali.
sábado, 16 de maio de 2015
Aquela Noite
Apesar de não saber, ele me ajudou a sair da tormenta. Ele me mostrou que ainda havia um erro pelo qual se arrependia e eu sai de um erro para ir de encontro ao que acreditava que era um acerto.
Eu queria ver uma luta, não por ele, mas porque havia um duelo muito maior em mim: Do meu coração com a lógica e parecia que estava determinado a bater mais rápido que um beija-flor, em cada despedida. Naquele momento, voltei para uma nuvem que tinha o cheiro doce dele.
terça-feira, 5 de maio de 2015
Você Me Deixou Sozinha
É gostoso se deixar acreditar naquela história de que, na hora certa, você saberá qual decisão tomar. Que uma campainha tocará no fundo do seu cérebro e você verá exatamente qual caminho da bifurcação é o correto, o mais feliz, o decente, o ético, o verdadeiro. De fato, algumas poucas vezes na vida eu tive a epifania do que fazer exatamente quando era necessário; no entanto, a maior parte do tempo a sensação é de esperar que a decisão seja feita pelas circunstâncias mais do que pelo pulo arriscado que é escolher. O maior medo de todos, talvez, seja que o que você quer não seja o que você precisa e que a escolha tenha sido tão, mas tão, errada.
Tomar uma escolha e não olhar para trás é a mesma coisa que mergulhar e confiar que não haverão pedras te esperando no mar tumultuado. Você nunca sabe: apenas torce, pressente e espera que o mergulho dê certo. As vezes você se afoga por alguns segundos antes de emergir e pensar "eu iria novamente". Mas sempre há o terror da idéia de que você pode não conseguir subir mais: a escolha não deu certo, você estava errado e não há mais volta.
Nos últimos meses, estive ensaiando a mesma queda livre diversas vezes. Por orgulho nunca me deixando saltar, e por medo nunca querendo saber o que me esperava lá embaixo. E, então, acontece a aparição que te faz acreditar que talvez a grande questão não seja exatamente o que te espera, mas o que te acompanha.
Muitas vezes eu desejei que houvesse alguém pronto para me segurar no final de cada salto. Uma rede de segurança bem firme, logo abaixo, pronta para aguentar a pressão do vento comigo. Porém, a cada dia, eu percebo que não é sobre o choque final, e sim sobre o momento anterior: quem está com você. Quem segurou sua mão. Quem passou em cima dos próprios medos, inseguranças, traumas, lembranças boas e ruins, para poder pular com você.
Se há alguém segurando sua mão, não é necessário destino. O maior impacto não é o vento gelado, ou a água revolta, ou o que for: são cinco dedos entre os seus. Firmes, fortes. Sem medo da queda. Sem medo de você
Tomar uma escolha e não olhar para trás é a mesma coisa que mergulhar e confiar que não haverão pedras te esperando no mar tumultuado. Você nunca sabe: apenas torce, pressente e espera que o mergulho dê certo. As vezes você se afoga por alguns segundos antes de emergir e pensar "eu iria novamente". Mas sempre há o terror da idéia de que você pode não conseguir subir mais: a escolha não deu certo, você estava errado e não há mais volta.
Nos últimos meses, estive ensaiando a mesma queda livre diversas vezes. Por orgulho nunca me deixando saltar, e por medo nunca querendo saber o que me esperava lá embaixo. E, então, acontece a aparição que te faz acreditar que talvez a grande questão não seja exatamente o que te espera, mas o que te acompanha.
Muitas vezes eu desejei que houvesse alguém pronto para me segurar no final de cada salto. Uma rede de segurança bem firme, logo abaixo, pronta para aguentar a pressão do vento comigo. Porém, a cada dia, eu percebo que não é sobre o choque final, e sim sobre o momento anterior: quem está com você. Quem segurou sua mão. Quem passou em cima dos próprios medos, inseguranças, traumas, lembranças boas e ruins, para poder pular com você.
Se há alguém segurando sua mão, não é necessário destino. O maior impacto não é o vento gelado, ou a água revolta, ou o que for: são cinco dedos entre os seus. Firmes, fortes. Sem medo da queda. Sem medo de você
Lugar Escuro
A primeira vez que estive nesse lugar, estava me recuperando de um coração partido. Na segunda vez, meu coração estava cego. Agora, na terceira vez, a beleza de tudo ao meu redor parece ser multiplicada pela percepção que, mesmo com novas cicatrizes, meu coração pela primeira vez em muito tempo consegue captar a energia vibrante e a magia inerente à natureza sem estar perdido numa ilusão interior. Sem sofrer pelo que não alcançou, e sim se felicitar por tudo que está presente nesse momento.
Foi colocado para mim que é necessário muita coragem para arder no fogo sem se deixar sumir nele. Ser destruído pode ser parte essencial do plano para se reconstruir da maneira mais verdadeira possível, mas esse termo tão pesado parece esconder que por trás dele existe a oportunidade de ressurgir das cinzas. Não foi gostoso; pelo contrário, foi a pior dor que já senti: me dilacerou por dentro, me definhou o rosto, me fez perder por alguns momentos o prazer em sentir o mundo ao meu redor. Mas agora... agora sinto melhor todo o mundo. Me sinto como alguém que passou uma dupla de anos vendo tudo em preto e branco e que finalmente enxerga todas as cores - até mesmo as que jamais vi antes.
Corri pela grama, me alegrei na água fresca, quis fazer parte dos quadros que meus olhos captavam. Não senti vergonha alguma do ser completo que sou, e senti meu corpo empreitar-se para encaixar-se mais naturalmente ali. Mais do que a natureza, aos poucos vou sentindo minha alma se revelar em sua essência e descubro que ela é mais resiliente do que esperava: tal qual os ferimentos antigos que se fecham e me dão a chance de pular novamente, estou finalmente me fortalecendo dentro de quem amo ser: por mim, para mim, mas por todos no meu coração também. Finalmente.
Quando se está no abismo da depressão, acho que é quase unanime que paramos de ver sentido em qualquer atividade: o que amamos parece que não nos toca, e o que não nos faz bem parecem ser as únicas coisas que chegam até nosso espírito. Com tempo, tratamento e amor (próprio, dos seus amigos, da sua família, dos que te rodeiam), começamos a colocar pequenas doses de alegria dentro de nós mesmos - o texto lido, a risada inesperada, a sensação de estar bonita no espelho. São pequenas conquistas que merecem ser celebradas sempre que ocorrem, pois fazem parte do grande cenário da batalha na qual estamos durante a doença. Comemore cada dose extra de felicidade, mesmo que pareça um fantasma de alegria, pois em tempo haverá de ser alegria de fato.
Hoje parece que tenho momentos difíceis, mas os dias tem se tornado mais gostosos. Os fantasmas ainda me rodeiam, mas baixamos uma nova cortina (transparente, ciente, mas separadora) entre nossos mundos e a sensação que fica é que voltei a me encontrar nesse universo onde vivo - e vivo, sim, não mais apenas sobrevivo ou existo. Pois meu coração está preenchido por muitas pessoas, coisas, lugares e sensações que valem a pena amar; e em cada abraço, flor, mensagem e colo, encontro mais do que faz continuar acreditando no futuro valer sempre a pena: à mim e ao presente.
Foi colocado para mim que é necessário muita coragem para arder no fogo sem se deixar sumir nele. Ser destruído pode ser parte essencial do plano para se reconstruir da maneira mais verdadeira possível, mas esse termo tão pesado parece esconder que por trás dele existe a oportunidade de ressurgir das cinzas. Não foi gostoso; pelo contrário, foi a pior dor que já senti: me dilacerou por dentro, me definhou o rosto, me fez perder por alguns momentos o prazer em sentir o mundo ao meu redor. Mas agora... agora sinto melhor todo o mundo. Me sinto como alguém que passou uma dupla de anos vendo tudo em preto e branco e que finalmente enxerga todas as cores - até mesmo as que jamais vi antes.
Corri pela grama, me alegrei na água fresca, quis fazer parte dos quadros que meus olhos captavam. Não senti vergonha alguma do ser completo que sou, e senti meu corpo empreitar-se para encaixar-se mais naturalmente ali. Mais do que a natureza, aos poucos vou sentindo minha alma se revelar em sua essência e descubro que ela é mais resiliente do que esperava: tal qual os ferimentos antigos que se fecham e me dão a chance de pular novamente, estou finalmente me fortalecendo dentro de quem amo ser: por mim, para mim, mas por todos no meu coração também. Finalmente.Quando se está no abismo da depressão, acho que é quase unanime que paramos de ver sentido em qualquer atividade: o que amamos parece que não nos toca, e o que não nos faz bem parecem ser as únicas coisas que chegam até nosso espírito. Com tempo, tratamento e amor (próprio, dos seus amigos, da sua família, dos que te rodeiam), começamos a colocar pequenas doses de alegria dentro de nós mesmos - o texto lido, a risada inesperada, a sensação de estar bonita no espelho. São pequenas conquistas que merecem ser celebradas sempre que ocorrem, pois fazem parte do grande cenário da batalha na qual estamos durante a doença. Comemore cada dose extra de felicidade, mesmo que pareça um fantasma de alegria, pois em tempo haverá de ser alegria de fato.
Hoje parece que tenho momentos difíceis, mas os dias tem se tornado mais gostosos. Os fantasmas ainda me rodeiam, mas baixamos uma nova cortina (transparente, ciente, mas separadora) entre nossos mundos e a sensação que fica é que voltei a me encontrar nesse universo onde vivo - e vivo, sim, não mais apenas sobrevivo ou existo. Pois meu coração está preenchido por muitas pessoas, coisas, lugares e sensações que valem a pena amar; e em cada abraço, flor, mensagem e colo, encontro mais do que faz continuar acreditando no futuro valer sempre a pena: à mim e ao presente.
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