terça-feira, 5 de maio de 2015

Você Me Deixou Sozinha

É gostoso se deixar acreditar naquela história de que, na hora certa, você saberá qual decisão tomar. Que uma campainha tocará no fundo do seu cérebro e você verá exatamente qual caminho da bifurcação é o correto, o mais feliz, o decente, o ético, o verdadeiro. De fato, algumas poucas vezes na vida eu tive a epifania do que fazer exatamente quando era necessário; no entanto, a maior parte do tempo a sensação é de esperar que a decisão seja feita pelas circunstâncias mais do que pelo pulo arriscado que é escolher. O maior medo de todos, talvez, seja que o que você quer não seja o que você precisa e que a escolha tenha sido tão, mas tão, errada.

Tomar uma escolha e não olhar para trás é a mesma coisa que mergulhar e confiar que não haverão pedras te esperando no mar tumultuado. Você nunca sabe: apenas torce, pressente e espera que o mergulho dê certo. As vezes você se afoga por alguns segundos antes de emergir e pensar "eu iria novamente". Mas sempre há o terror da idéia de que você pode não conseguir subir mais: a escolha não deu certo, você estava errado e não há mais volta.

Nos últimos meses, estive ensaiando a mesma queda livre diversas vezes. Por orgulho nunca me deixando saltar, e por medo nunca querendo saber o que me esperava lá embaixo. E, então, acontece a aparição que te faz acreditar que talvez a grande questão não seja exatamente o que te espera, mas o que te acompanha.

Muitas vezes eu desejei que houvesse alguém pronto para me segurar no final de cada salto. Uma rede de segurança bem firme, logo abaixo, pronta para aguentar a pressão do vento comigo. Porém, a cada dia, eu percebo que não é sobre o choque final, e sim sobre o momento anterior: quem está com você. Quem segurou sua mão. Quem passou em cima dos próprios medos, inseguranças, traumas, lembranças boas e ruins, para poder pular com você.

Se há alguém segurando sua mão, não é necessário destino. O maior impacto não é o vento gelado, ou a água revolta, ou o que for: são cinco dedos entre os seus. Firmes, fortes. Sem medo da queda. Sem medo de você

Lugar Escuro

A primeira vez que estive nesse lugar, estava me recuperando de um coração partido. Na segunda vez, meu coração estava cego. Agora, na terceira vez, a beleza de tudo ao meu redor parece ser multiplicada pela percepção que, mesmo com novas cicatrizes, meu coração pela primeira vez em muito tempo consegue captar a energia vibrante e a magia inerente à natureza sem estar perdido numa ilusão interior. Sem sofrer pelo que não alcançou, e sim se felicitar por tudo que está presente nesse momento.

Foi colocado para mim que é necessário muita coragem para arder no fogo sem se deixar sumir nele. Ser destruído pode ser parte essencial do plano para se reconstruir da maneira mais verdadeira possível, mas esse termo tão pesado parece esconder que por trás dele existe a oportunidade de ressurgir das cinzas. Não foi gostoso; pelo contrário, foi a pior dor que já senti: me dilacerou por dentro, me definhou o rosto, me fez perder por alguns momentos o prazer em sentir o mundo ao meu redor. Mas agora... agora sinto melhor todo o mundo. Me sinto como alguém que passou uma dupla de anos vendo tudo em preto e branco e que finalmente enxerga todas as cores - até mesmo as que jamais vi antes.

Corri pela grama, me alegrei na água fresca, quis fazer parte dos quadros que meus olhos captavam. Não senti vergonha alguma do ser completo que sou, e senti meu corpo empreitar-se para encaixar-se mais naturalmente ali. Mais do que a natureza, aos poucos vou sentindo minha alma se revelar em sua essência e descubro que ela é mais resiliente do que esperava: tal qual os ferimentos antigos que se fecham e me dão a chance de pular novamente, estou finalmente me fortalecendo dentro de quem amo ser: por mim, para mim, mas por todos no meu coração também. Finalmente.

Quando se está no abismo da depressão, acho que é quase unanime que paramos de ver sentido em qualquer atividade: o que amamos parece que não nos toca, e o que não nos faz bem parecem ser as únicas coisas que chegam até nosso espírito. Com tempo, tratamento e amor (próprio, dos seus amigos, da sua família, dos que te rodeiam), começamos a colocar pequenas doses de alegria dentro de nós mesmos - o texto lido, a risada inesperada, a sensação de estar bonita no espelho. São pequenas conquistas que merecem ser celebradas sempre que ocorrem, pois fazem parte do grande cenário da batalha na qual estamos durante a doença. Comemore cada dose extra de felicidade, mesmo que pareça um fantasma de alegria, pois em tempo haverá de ser alegria de fato.

Hoje parece que tenho momentos difíceis, mas os dias tem se tornado mais gostosos. Os fantasmas ainda me rodeiam, mas baixamos uma nova cortina (transparente, ciente, mas separadora) entre nossos mundos e a sensação que fica é que voltei a me encontrar nesse universo onde vivo - e vivo, sim, não mais apenas sobrevivo ou existo. Pois meu coração está preenchido por muitas pessoas, coisas, lugares e sensações que valem a pena amar; e em cada abraço, flor, mensagem e colo, encontro mais do que faz continuar acreditando no futuro valer sempre a pena: à mim e ao presente.

domingo, 3 de maio de 2015

A Culpa é da Austen

Tenho uma certeza bastante acirrada que a srta. Austen teria ficado mais do que feliz em colocar grandes alertas em neon em cima da cabeça de todos os senhores Wickham e Willoughby, nos conceder grandes bailes onde o tocar de duas palmas fosse eletrizante e possivelmente colocaria doses altas de declarações de amor poéticas. Claro que, como bem já disse num texto mais cedo esse mês, a grande lição dela é sempre de manter a esperança (mesmo que você seja Anne Elliot, não é?) e de nos mantermos atentas ao que se esconde por baixo das aparências.

Mas é difícil as vezes imaginar se há contrapartes de fato no mundo que sejam tão certeiras quanto nos livros. Em uma realidade onde te julgam por não confiar e ao mesmo tempo te contam uma traição, onde um sistema eletrônico parece o meio justo para terminar com alguém com quem se falava de casamento e onde pessoas sem remorso, sem noção e trapaceiras andam soltas em cada esquina... Como ainda acreditar em finais felizes? Como não se dobrar quando falam que é bobagem esperar ligações verdadeiras? Ou, ainda: como se manter fiel ao que tanto te falam para continuar tentando, em todas as esferas?

Tem dias em que todas essas questões rodam minha mente incessantemente; parece que há ali um medo tão latente, por baixo de toda a fé, que as vezes sobe e grita aos ventos seus temores. E eu o ouço, porque as vozes na nossa mente são as mais difíceis de calar. Mas, ainda assim, quero me apegar no que considero os verdadeiros finais felizes; as pessoas que de fato acham uma relação de via dupla, onde ninguém faz ninguém de bengala, onde há de fato uma troca de amor; aqueles que oferecem seus sorrisos aos demais mesmo quando falta em si mesmos; onde há saúde e beleza na realidade, e não ilusões açucaradas com olhares e confissões; os que não deixam de apostar em seus próprios corações, embora esses últimos tenham sofrido as piores decepções. Esses últimos, em especial, são os grandes heróis dos meus olhos.

São essas pessoas que me fazem pensar que romances, sejam de quem for, são reais. Não apenas romances no sentido mais românticos, mas todas as relações humanas: as amizades que nos machucaram, os laços de irmandade que se mostraram fracos... Que não é perda de tempo acreditar, ter fé, ficar de olhos abertos para o que é especial. Cantar as canções de ninar - mesmo aquelas que você julgou perdidas - para os medos pessoais, manter os olhos abertos para quem de fato é verdadeiro, continuar um dia de cada vez dando chances aos que entram em todas as esferas.

Por mais que Austen não tenha me preparado para uma vida de batalhas de fato, ela me ensinou um pouco que não vale a pena viver sem cicatrizes. Razão e sensibilidade trabalhando juntos para ver o mundo, deixando orgulho, preconceito e persuasão de terceiros para lá. Então, é. Talvez dona Jane tenha me preparado para isso, no final das contas: para trabalhar em acreditar em histórias felizes.

segunda-feira, 13 de abril de 2015

Reflexões Sobre o Amor

"E se for eu? E se eu tenha essa ideia de amor na minha cabeça e ela está totalmente errada?" 


Como em um romance de segunda categoria, cheguei à conclusão que o mundo como eu o conheci se ruiu debaixo dos meus pés e foi trocado por uma junção fantástica e abençoada de novos conhecimentos e medos. E um punhado de dor de cabeça. Então, é claro, achei que a coisa mais saudável a se fazer seria esquecer minhas histórias amorosas e dividir com o mundo a respeito dos meus novos conhecimentos sobre a vida e relações humanas - porque é esse tipo de coisa estranha que faço, ao visto, aqui neste quarto escuro (blog) que decidi dividir com vocês.

Passei 21 anos da minha vida acreditando no que me disseram em contos da fada, literatura clássica e filmes da Disney, de que um dia cruzaria olhares com um completo estranho na rua e que essa pessoa seria "a pessoa" da minha vida.

Pode ser um romantismo absurdo, imaturidade ou infantilidade, mas de fato acreditava de todo o meu coração que existiria alguém que seria minha alma gêmea; E agora, de maneira absurdamente leve e assustadoramente rápida, meu coração percebeu que não é bem assim que a banda toca. Não mesmo... 

Ainda acredito e confesso, até mais do que acreditava quando acordei ontem, que existem almas e espíritos destinados a se encontrarem e que compartilham uma ligação (elo) inequivocadamente romântica e eterna. Só que não acho mais que todas as pessoas só vão encontrar UM exemplar desses, ou que existirá aquele UM que superará todos os outros.

Pode ser que de fato existam “aqueles que cruzarão apenas uma vez com uma alma dessas e que não haverá espaço para dúvidas” - se esse é o seu caso, ótimo para você e felicidades, mas finalmente fui chocada com a realidade de que esse não é o meu e acredito que de sua maioria também.

Entreguei uma chave do meu coração pela primeira vez quando tinha 17 anos. Não percebi o que tinha acontecido, apenas que tinha dado à ele a chance de destrancar uma fechadura em uma sala especial dentro do meu espírito - um cômodo do qual já ouvia falar, mas que só então conheci. Mesmo com outras paixões, verdadeiras, felizes, trágicas, rápidas e longas, foi com ele que deixei aquela chave, aquele espaço, pela primeira vez e por mais que houvessem outras pessoas durante os anos seguintes que vivessem ao redor, havia aquele lugar onde só ele sabia entrar. Passei noites e noites em claro desejando que houvesse alguém que pudesse substituí-lo ali, tomando seu lugar e essa sala; e talvez seja um desses casos de que devemos ter cuidado com o que desejamos, pois quatro anos após um último beijo houve um primeiro beijo que mexeu com minha alma.

Tive inseguranças e dúvidas demais para serem citadas em um texto. Não sei se posso me culpar, mas a realidade é que uma parte de mim achou quase que absurdo o fato de que havia mais alguém que poderia passar por aquela porta. Passei outras tantas noites sem dormir, comparando-a com ele, com raiva das circunstâncias e com receio de que não haveria terceira chance e então disse SIM! Sim à ele e ao nosso futuro juntos.

Mas como o universo conspira muito mais do que nossa mente, um pouco mais de seis meses depois de mais um último beijo houve outro PRIMEIRO BEIJO; outra chave entregue. E, dessa vez, havia me prometido colocar a armadura pesada do medo e não me jogar, como fazia antes, mas me joguei, e o amo, e não o trocaria por ninguém.

No entanto, ele não me fez esquecer os outros e nem irá. Ninguém irá substituir nenhum deles, nunca.


Logo, percebo que o amor que uma vez senti, e é romântico, continua vivo dentro de mim tanto quanto quando eu tinha 17 ou 21 anos: Ele respira, ele existe. Cada vez que encontrar algumas pessoas, sentirei que há uma chave sendo colocada na porta, que alguém pede para entrar.

No momento a terceira pessoa ocupa toda a sala, todo meu sorriso: cada dia com ele é uma experiência nova, cresço mais, amadureço mais, e o amo mais - e agora com a consciência de que meu amor por ele, minha escolha emocional de que ele é a pessoa certa para mim, nesse momento (e, quem sabe, para todos os outros), não retira o fato de que os outros dois também são os amores da minha vida.

"Amor da minha vida." Esse é um termo que não saia da minha boca há alguns meses, que não tive coragem até então de empregar novamente, mas que agora o faço de coração leve e certeiro. Eles são as pessoas de quem jamais serei amiga, mas que sempre serei a maior amiga. Não sei se as chaves são só três e meu futuro estará entrelaçado com uma dessas pessoas em particular, mas sei que não importa o TEMPO, a DISTÂNCIA, a COMPANHIA, as escolhas minhas ou deles, meu amor continuará.

Todas aquelas vezes que achei que o amor deixaria de existir, estava falhando em entender que o amor de verdade jamais morre. Parece quase que semelhante a esperança, ao ter fé, mas ele ainda tem um pé terreno que só quem sente duas almas conectadas e ainda presas em seus corpos consegue entender. Não é meramente o incondicional, o altruísta e a firmeza que o tornam transcendental, mas há uma qualidade de fogo que pode tanto corroer como, mais maduro, aquecer, marcando quem o carrega.

Estou há um pouco mais de 24 horas matutando e tentando digerir de que talvez o destino tivesse sido conhecer essas pessoas, e que haverá pelo caminho circunstâncias, opiniões e momentos que me façam estar com uma ou outra.

Nesse preciso e exato momento da minha vida, sei exatamente o que é o certo para mim e quem quero nesse agora e estou tentando conviver com a noção de que ainda tenho muito o que aprender e viver antes de compreender o momento e a decisão que é quando decide-se estar "para sempre" com alguém. Porque pedir pra casar e dizer que me ama é muito fácil.

Dentro do meu coração, começo a entender que a jornada de amar jamais tem volta e paradas, apenas um caminho em frente. E, seja o que for que essa trilha me guarda, acho que posso me considerar sortuda e orgulhosa por amar três pessoas únicas de forma incondicional, romântica, louca e, assumidamente, por toda a minha vida. 

No fundo acho que estou vendo que a pessoa "certa" é uma escolha, e não uma imposição; como ser humano, obviamente haverá o medo de fazer a escolha errada, mas como apaixonada, posso dizer que pela primeira vez em muitos anos estou finalmente confiando nos caminhos dos meus próprios sentimentos - que hoje continuam de mãos dadas com a pessoa com quem escolho estar na sala mais escondida do meu coração.

Descobri que meus sentimentos e meu destino, caminho, ou seja como quiser chamar, são muito maiores do que um dia acreditei. E, tomada por todo o amor do mundo, pela primeira vez em anos acho que finalmente entendo o conceito do quão livre é o verdadeiro amor!

terça-feira, 7 de abril de 2015

Aprendizados

Pensando pelas teorias brasileiras, o ano só começa de verdade depois do Carnaval. Já o meu ano de fato começou se renovando no dia 31 de Dezembro para o dia 1º de Janeiro, mas mesmo sentindo esse sentimento de finalização merecida, tem sido apenas recentemente que começo a ver os verdadeiros frutos de ter plantado, em mim mesma, a vontade de recomeçar. Há umas semanas pra cá, mais exatamente.

Obviamente há um período de "incubação" após grandes tormentas que precede o renascimento da luz. Esse renascer se dá muito mais como o quebrar da casca de um ovo, em oposição á uma retirada obstétrica bruta para o novo mundo. O que quero dizer com isso é que ficamos muitas vezes esperando um momento de profunda epifania para marcar o nascimento ou renascimento, um choro gritante, mas esquecemos que não apenas esse momento único pode não chegar, como podemos ignorar toda a jornada que pode antecedê-lo. Essa caminhada é muito mais longa e valiosa que se valorizarmos apenas o estouro da champagne.

 Nesse último mês, notei em mim mesma pequenas ações que, quando parei para pensar, significaram muito; mesmo que na hora eu não tenha notado. Pela primeira vez em oito anos (sim, oito anos!) escrevi sobre mim mesma apenas por querer me retratar e não porque precisava que alguém lê-se ou porque gostaria que ninguém soubesse sobre quem eu estava falando, enfim fui autêntica e sincera o bastante pra falar: Estou escrevendo sobre mim! É autobiográfico.
Me descrevi apenas pelo prazer de me descrever, por ter na minha mente uma questão estética e querer mostrá-la de alguma maneira. A verdadeira Larisse, não a que alguns supostamente acham que sou. 

 Percebi que voltei a gostar de visitar meus antigos desenhos, meus antigos projetos arquitetônicos, minha antiga agenda de sonhos...  De fazer pequenos agrados em forma de comida para as pessoas que amo. Notei que sentia falta de me arrumar para sair comigo mesma, de ir ao cinema sozinha, de me sentir confortável estando só.  De ser minha! 

Tenho plena consciência que ainda há um caminho longo que devo percorrer até me reencontrar depois da tormenta, mas conseguir apontar essas vitórias que poderiam passar despercebidas passou a alimentar a minha consciência de que estou aos poucos reencontrando uma Larisse que não via há muito, muito tempo. Sem deixar de lado o que outras tantas Larisses antes de mim viveram e aprenderam, mas resgatando também um amor próprio e um prazer em minha própria companhia que estava se perdendo durante um bocado de anos por pessoas e momentos que não valiam à pena.
Passei a fazer mais o que amo e não o que preciso e o que esperam que eu faça. Passei a passar a borracha ao que não preciso mais e às pessoas que não quero mais.

Dentro desse prazer em conviver comigo mesma, mesmo que ainda pontuado por momentos de baixa, percebo até mesmo a volta da vontade de conviver mais com as pessoas em que, de fato, encontro paz de espírito e um amor fraternal. Reconhecendo pedaços perdidos de mim mesma, em mim e nos meus amigos e família, começo a quebrar uma casca que nem tinha consciência de que estava me envolvendo: não de uma vez, não com um grande "BANG", mas sim com pequenas ações e momentos durante os dias mais comuns (e também os incomuns).

É natural e normal que as pessoas se percam, se reconquistem, se encontrem e reencontrem. Não buscando um novo eu, mas sim pedaços de um antigo eu que por ventura está faltando para deixar o eu atual o mais fiel à sua essência possível. Devemos sempre levar conosco as lições e aprendizados do passado, mas não deixando eles se tornarem uma cortina para a luz em formato de raiva, mágoa e desamor próprio.

Hoje penso no que amo, no que amei e no que quero amar em mim mesma. Sei que é uma jornada difícil, mas estarei aqui do meu próprio lado em cada passo que eu der. Contarei comigo mesma 24horas por dia.

Tô aprendendo...

quinta-feira, 2 de abril de 2015

O Silêncio

Sentia cada palpitar do seu coração bem abaixo da palma da minha mão. 
Senti que estava vivendo em um capítulo a parte daquela história, 
que não se encaixava com os demais e nem no meu raciocínio.

 Não conseguia saber o que falei, só que naquele instante o rosto que tentei beijar se virou para mim.
Abaixei a cabeça e entrei no carro, onde abaixei mais uma vez o rosto até chegar em casa;
dessa vez sobre o colo do meu travesseiro.

O dono de outra boca conhecida fez carinho nos meus cabelos até eu dormir de tanto chorar.
 Naquele momento, não soube quanto tempo a viagem até você levava.

Ainda é estranha a sensação: uma nuvem cheia de coisas não ditas, de não explicadas.
 Sinto um pouco que a nuvem é mais minha, mas pode ser porque não aguento o pensamento de ser mútua. Não sei se ele percebe que não consigo abraça-lo como abraço todo mundo: não consigo soltá-lo, com medo de que eu inteira desabe em algo que nem sei se existe dentro de mim. Por isso, nunca ponho meus pensamentos em seus braços. 

As vezes parece que me desligo um pouco do momento, para não cair numa tentação existente de servi-lo. As vezes também prendo a respiração para não sentir seu cheiro, (na lembrança). Em todos esses momentos, sinto curiosidade de saber se ainda é igual. E ai inspiro, só um pouco, naquele momento.

Estou perdendo o Anjo por conta do Pesadelo... Eu nao consigo tirá-lo de mim.

segunda-feira, 30 de março de 2015

Orgulho e Preconceito

Como toda fã de Jane Austen bem sabe,
um dos problemas da vida é que o número de Srs. Wickham
é multíssimo maior que os de Srs. Darcy (independente do gênero.)

É muito mais fácil cair pela suposta perfeição e nobreza de alguém que se pinta conforme a plateia
do que pelas qualidades e defeitos de alguém que é abertamente imperfeito.

É muito fácil nos orgulharmos das grandezas de quem está atuando para conquistar o que deseja.

Por outro lado, é bem mais difícil aprender que, as vezes,
as paixões avassaladoras são baseadas em sentimentos para alguém
e apenas conforto e conveniências para outros.

Os senhores Wickham sempre serão vistosos em seu uniforme e pose,
mas nem todo senhor Darcy se apresentará como seus sonhos à princípio;

o que é conveniente, já que te dará a chance de ver o que você precisa e realmente quer,
ao invés de ser servido com as doces atuações de alguém.

Manter a fé e esperança nem sempre é fácil,
mas aliar ambas com os olhos abertos, além do orgulho e preconceito, é a verdadeira lição.

Ao menos é o que começo a notar nos casais que realmente tem histórias
(e não finais) felizes de verdade.