Por Daniel Cardozo
Surpresa. Essa talvez seja a palavra que mais se repete na minha cabeça enquanto vou tentando entrar no seu mundo. A cada dia conversando, descubro mais nuances e características surpreendentes. Talento para a música, timidez, voz delicada, conversa agradável e muitos outros fatores prendem quem chega perto.
O que intriga é pensar: nossa, quantas diferenças. Enquanto Larisse tem mais de uma década de dedicação intensa à música, eu nem posso ser chamado de músico. Se comparam os textos, tem muita discrepância aí também, afinal, lado a lado estão textos leves, poéticos e uma narrativa burocrática que o jornalismo político pede. Quando o assunto é religião, o abismo continua se abrindo. Meishu-Sama, Johrei e purificação do espírito são palavras-chave. No outro extremo, nem mesmo uma fé definida ou frequentar rituais são opções disponíveis.
No entanto, nem tudo são discrepâncias. O nível de dedicação à música se dissolve quando se avaliam os poderes que os acordes e as letras têm nos dois organismos, alegria, raiva, tristeza, melancolia. As palavras empregadas acabam sendo compreendidas pelos diferentes autores. E no momento em que a concepção divina está em pauta, uma coisa vem às duas cabeças, o respeito pela fé alheia. É, talvez seja normal ser tão diferente.
Mas algo que talvez tenha sido deixado solto foi o tal elemento surpresa. Ora, parece autoexplicativo, já que Larisse é uma das pessoas mais cheias de talentos que eu já vi. E fala de si mesma sem parecer uma subcelebridade, dizendo o famoso bordão “canta, dança e interpreta”.
Desculpe pelo clichê – que você, Larisse, sabe muito bem que não é uma das coisas favoritas para mim -, mas a intenção foi proporcionar um contraste. Afinal, a dona desse blog pode fazer qualquer coisa, menos fazer parte do lugar comum. Gosto pelos estudos, uma relação bem resolvida com a família, acompanhados de beleza e bom humor, não costumam andar juntos. Truco.
E as circunstâncias forçam até contornos diferentes. O que era para ser um perfil – inicialmente, obedecendo todas as regras do jornalismo moderno, com lide, sublide e texto objetivo e conciso – acabou virando uma crônica (muito mal escrita e entediante, por sinal). Aliás, aceitar a tarefa de escrever sobre um ser humano complexo, mas ao mesmo tempo intrigante, foi algo que, admito, me pareceu desafiadora. No final, as palavras foram digitadas com fluidez. Sem sustos.
Foi possível dizer muito nesse texto, menos a explicação para uma pergunta possivelmente sem resposta. Onde você estava escondida?

Nenhum comentário:
Postar um comentário