quinta-feira, 26 de janeiro de 2012

Longe de ti



Se pudesse ao mundo dizer mesmo que às mínimas pessoas
Não suportaria males, se não ficar longe de ti
Pois se tua beleza veste minha angústia em suor mostra
Delicadamente o fervor em meu olhar

Pois não suportaria fardo maior, se não ficar longe de ti
Como o vôo de uma águia presa ao chão?
Teu olhar doce me sufoca a alma pedindo-me perdão
Por tuas ausências e conflitos, verdadeiros devaneios

Que não equivalem ao fervor árduo de meu peito
Sim, meu amado, te digo em voz alta: Estou apaixonada, pela voz que te consome
Em meu peito dizendo-lhe, queira-me também.



Caravaggio+7.jpg (388×390)

terça-feira, 6 de dezembro de 2011

Desabafo


Eu quero ser somente eu

Ter raiva das pessoas e querer que elas fiquem longe, sim, como qualquer pessoa normal.
Mas logo depois isso passa, questão de minutos. Porque eu não consigo ficar brigada com ninguém. Pode parecer idiotice, que seja então. Não gosto de guardar mágoa no coração e não gosto de me sentir assim. É ruim...
Eu sei que vou encontrar muitas pessoas ainda que vão me fazer chorar, seja por achar que elas foram grosseiras, metidas, insensíveis, achar que elas falam sobre mim ou de mim como se me conhecessem, mas alguém também deve ter me achado da mesma forma.
As pessoas não são perfeitas. Eu, graças à educação dos meus pais, não tenho nenhum problema em pedir desculpa quando estiver errada e mesmo se não me sentir errada. Como meu pai diz “pedir desculpa não significa que você está errado. Significa que você tem hombridade pra isso”. É isso mesmo! Chega de moralidade. Gente mesquinha que acha que guerra leva à paz! Dane-se! Não é falsidade, é querer ser feliz!
Gente que fala que você vai se dar mau, ta aí as pencas!
Onde o mundo vai parar desse jeito? É um querendo ser melhor que o outro, um querendo se mostrar mais forte, mais superiormente interessante. Poupe-me de tanta mesquinharia!
Pois eu não estou nem ai. Se eu achar que devo desculpas e achar que não vale à pena ficar longe, eu vou tentar de tudo para poder me aproximar. Vou acreditar mais e outra vez nas pessoas.
Eu não sou certinha. E quem é?
Meishu Sama sempre me ensinou que guardar mágoa só faz mal a si próprio.
Temos que construir o paraíso terrestre e não ficar brigando.
Vão dizer: “larga de ser boba vão continuar falando mal e sendo falsos”.
Edaí? Se eu não for mudar, quem muda?
Quando um muda o outro muda... Todo o mundo ta careca de saber disso.
Temos que aprender a lidar com o próximo também, com os nossos erros e os erros das pessoas também, porque vejam bem... Nossas famílias não nos amam? Sabe por quê? Além do elo, que óbvio é inquestionável...
Acredito que porque um cuida do outro. Sim, brigam e muito! É ai que está a graça... Se não brigamos com uma pessoa não sabemos o quão a amamos. Chega de brigas de futebol, são todos pelo mesmo objetivo. Chega de brigas contra gays e lésbicas! A missão de cada um é de cada um. Chega de brigas contra política corrupta. Há formas de se manifestar sendo pacífico, sem gritar se é ouvido. Chega de fofoquinhas, de disse-me-disse. De opiniões sem fundamentos, sem estudos... 
Me lembrei de uma propaganda que dizia assim:

Eu quero menos:
Menos roupa,
Menos cabeça quente,
Menos falta de tempo,
Menos resolver tudo por email,
Menos preocupação,
Menos distâncias,
Menos formalidade,
Menos encanação,
Menos se levar a sério demais,
Menos escritório,
Menos cara feia,
Menos despertador do lado da cama,
Menos chapinha,
Menos complicação...

Ah, eu quero menos pra mim, e quer saber?
Eu desejo o mesmo pra você!

Vamos ser menos céticos demais, vamos viver! 
            
                                                                                                                                         Larisse

domingo, 4 de dezembro de 2011

Poema de Bêbado




 solfejando
 de solfejar
 de "solfejão"
 sol + feijão
 feijão nasce com sol
 sem sol não tem feijão
 sem feijão tem fome
 e sem sol, escuridão


Por Ítalo Rosendo

sexta-feira, 25 de novembro de 2011

Amor é igual leite...




"Quando eu era criança tinha uma mulher velha que jogava um palito de fósforo aceso no café e via o futuro na mancha que fazia quando o palito apagava.

Sempre me levavam lá pra tirar quebrante.
Ficava nessa mesma rua aqui da quitanda.
Acho.
Tipo mais lá pra baixo.
Uma vez eu tomei um fora na escola e chorei em casa.
Minha mãe achou que era quebrante.
A velha jogou o fósforo.
Falou que era amor.
No dia seguinte foi a mesma merda.
Botei a culpa na velha.
Depois com o tempo descobri que o problema era o café.
Porque café não tem nada a ver com amor.
Café desce rasgando e te deixa ligado.
Amor não.
Amor é tipo leite.
Tem prazo de validade curto e azeda muito rápido.
E longa vida tem conservante.
Uma mentira embalada.
Só parece seguro porque está em uma caixinha.
Depois que abre é igual a qualquer outro.
Não sei como chorei por aquele ridículo da escola.
Ele era horrível.
Amor é tipo isso, derivado de leite com embalagem bonita na geladeira do mercado.
Você quer muito, as vezes fica doente de vontade, mas depois que bebe vê que nem foi tudo aquilo.
E sem as embalagens, no fundo, danone, queijo, manteiga… é tudo a mesma merda.
Fica lá em você boiando até sumir.
Teu corpo absorve o bom.
E o ruim vai embora.”

domingo, 13 de novembro de 2011

Para Luíza


"Tinha suspirado, tinha beijado o papel devotamente.
Era a primeira vez que lhe escreviam aquelas sentimentalidades,
E o seu corpo ressequido que se estira num banho tépido;
Sentia um acréscimo de estima por si mesma,
E parecia-lhe que entrava enfim numa existência superiormente interessante,
Onde cada hora tinha o seu encanto diferente,
Cada passo conduzia a um êxtase,
E a alma se cobria de um luxo radioso de sensações"

sábado, 12 de novembro de 2011

Estudo de um amigo


Predominantemente reto, fresco e pontudo
Só o mundo gira, vagar, bumbo
Vencer também traz perdas

Que a verdade que nos consome
Deixa claro na virtude prostituída
O conselho velho de minha avó
Pretendo lutar e mais ainda sem temer

O teu orgulho não consola, a tua esmola
Esmola de ruínas, perdas desnecessárias
Vermes cheios de si

“Cresça menino, deixe isso ai.”
Palavras... ”Arrume a posição”
Disfarça... ”Olhe a arcada”
Compassa seu ritmo

Sem equilíbrio, sem emocional
Teu racional não pensa certo
Deixa sua amargura vencer

E quando tudo parece estar fazendo sentido
Vem o desequilíbrio

segunda-feira, 31 de outubro de 2011

Conversa com o Espelho

"Eu como escritora gostaria de ter feito esse texto. O encontrei na internet há alguns anos e achei genial ! Espero que vocês também gostem. Com vocês: Conversa com o Espelho. Há! Imagem da pintura à óleo de P. Picasso, Mulher ao Espelho. Boa leitura. Beijos harmônicos. Lalá".

- as pessoas deveriam escolher a quem amar, ne? ... Ei, to falando com você!
- comigo?
- lógico! com quem mais seria, idiota?
- mas eu sou você.
- eu sei disso, mas você ainda não me respondeu!
- desculpa. Qual era a pergunta mesmo?
- as pessoas deveriam escolher a quem amar, né?
- talvez!
- se você sou eu, você deveria concordar comigo.
- eu sei, mas eu não concordo.
- como não? Você sou eu!
- olhe pra mim...
- mas eu estou olhando.
- olhe nos meus olhos, e me diga o que você vê.
- eu vejo você.
- mas eu sou você.
- eu sei, mas é como se não fosse, entende? É como se o espelho estivesse mentindo pra mim.
- exatamente, isso porque você não é mais você.
- e você, sou eu?
- talvez.
- eu devo estar louca, estou conversando com você que nem sabe quem realmente é.
- eu sei quem eu sou, eu sou você. E você? ... Ei, estou falando com você... Ei...